Cambalhota Matinal

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Falta de desportivismo e/ou falta de coerência da Federação Portuguesa de Rugby

Hoje acordei a pensar em Rugby, desde de logo se pode ver que não ando muito bem.

Tenho acompanhado, por força das circunstâncias, as duas equipas da Associação Académica de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD) desta modalidade. Uma de sub-18, que muito me agrada ver como a imagem do regresso da formação nesta modalidade à região transmontana, e outra de seniores que, para quem não sabe, não se lembra ou desconhece (é diferente não saber e desconhecer), já foi uma equipa de elite nacional.

Não se pode dizer que estão a fazer excelentes campeonatos e boas exibições, mas pode dizer-se que fazem o que podem. O mesmo não se poderá dizer de outras equipas, se não, vejamos. Primeiro o AAU Aveiro, depois Vitória FC (Setúbal) e, por fim (pelo menos até agora), VilaMoura XV RC e RC Coimbra desistiram de competir na Taça de Portugal, respectivamente, na 1ª e 2ª eliminatória e 1/8 final.

As desistências não justificadas acontecem, oficiosamente falando, para evitar derrotas históricas. O VilaMoura XV RC recebia em casa o CDUL, que se traduz em Centro Desportivo Universitário Lisboa, e o RC Coimbra recebia o GD Direito.

Em comum a estas quatro equipas está, tão-somente, a modalidade que praticam. Em potencial, o GD Direito o CDUL podem ser considerados “canhão” na célebre expressão “é carne para canhão”.

Mas, para não me alongar e tornar mais maçudo, passo à divisão da questão em dois pontos. Falta de desportivismo e/ou falta de coerência nas políticas da Federação Portuguesa de Rugby (FPR).

Supondo que a justificação oficiosa que acima aponto, “evitar derrotas históricas”, é a razão para estas desistências, então estamos perante falta de desportivismo. Para perder ou ganhar e, eventualmente, empatar é que se compete e não há justificação para desistir perante um Golias.

No entanto, e para isso escrevi e/ou, a segunda justificação é ligada à primeira. A FPR achou que a visibilidade que a selecção ganhou no mundial, em França, serviria para catapultar a modalidade e não errou, acertou, sim serviu, catapultou tanto e tanto, que conseguiu mais do que melhorar. Contribuiu para que o fosso entre as equipas de topo e as equipas medianas e “fraquinhas” aumentasse tanto que seja praticamente inconcebível fazer um jogo entre um grande e um médio, mesmo que candidato a grande.

As equipas devidamente estruturadas, com escalões de formação desde escolinhas a sub-20, estão mais fortes, tendo mais jovens a desenvolver as suas capacidades para a modalidade. As suas equipas seniores também beneficiam disso para juntar ao investimento estrangeiro. Mas e o outro rosto da moeda? As equipas medianas e “fraquinhas” o que ganharam com esta visibilidade?

Voltando em concreto à equipa da AAUTAD, também beneficiou do catapultar da modalidade. Como já disse, voltou a ter uma equipa de formação, os sub-18, que já disputou dois jogos em casa e, curiosamente ou não, ambas partidas foram arbitradas pelo treinador adjunto da equipa adversária.

A imparcialidade e a parcialidade andam sempre de mão dadas, principalmente no desporto, numa espécie de bailados ritmado e compassado com o parcial de um lado e o imparcial do outro.

Assim sendo, que credibilidade dá a FPR aos jogos da única equipa de formação de uma região não nomeando árbitros? A esta apetece-me juntar outra, que fez a FPR para desenvolver a modalidade em Trás-os-Montes? Mas a esta questão respondo eu, NADA, as outras podem ficar para meditação.

Frederico Correia

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Nota

A direcção deste blog está em fase de reestruturação (a crise do BPN toca a todos). Aos assíduos e asseados visitantes, uma palavra de desrespeito, para não voltarem…

A direcção

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Desportivamente fal(h)ando III

Começarei este meu apontamento pelo que habitualmente deixo para o final.

O substantivo feminino contusão deriva do latim contusione. Tem como definição simplesmente: efeito de contundir, pisadura, traumatismo ou equimose. No sentido figurado pode ser interpretado como ressentimento ou impressão moral.

Assim sendo, deduzindo de ânimo leve, esta palavra deve ser uma das mais frequentes no “vocabulário desportivo”. Deve não, deveria! É verdade, esta palavra em nada figura num relato desportivo, principalmente radiofónico e televisivo e eu acho que sei o porquê.

Vejamos/imaginemos: está um transístor sintonizado num relato de futebol num tasco, que tem derramado no seu balcão mais líquido que aquele que está dentro dos copos nele pousados, e o relatador diz: “e agora o jogador X sofre uma contusão pela entrada viril do adversário Y”. Perante este cenário inclua, um tossir, um assoar de nariz ou um arroto no momento em que “uma contusão” é enunciada. Pois, acho que concluímos o mesmo…

Frederico Correia

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